Perseguição, interrupções de energia e agressão: corretora assassinada e síndico que confessou o crime tinham histórico de brigas e denúncias
28/01/2026
(Foto: Reprodução) Entenda briga que pode ter sido motivo do assassinato da corretora em Goiás
A corretora de imóveis Daiane Alves, de 43 anos, e o síndico que confessou o crime tinham um histórico de conflitos e denúncias de ambos os lados. As brigas teriam começado após Cléber perder a administração de alguns apartamentos para ela. Cléber Rosa de Oliveira e o filho dele, Maykon Douglas de Oliveira, foram presos pela Polícia Civil suspeitos de assassinar a corretora. Cléber mostrou para a polícia onde abandonou o corpo (veja acima).
A prisão aconteceu na quarta-feira (28). O g1 entrou em contato com a defesa dos suspeitos, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.
Corpo de corretora de imóveis desaparecida é encontrado; suspeitos são presos
O Ministério Público de Goiás denunciou o síndico pelo crime de perseguição (stalking), com agravante de abuso de função, além de uma série de ações, incluindo agressões físicas e verbais, praticadas por ele ao longo de dez meses, em 2025.
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Em coletiva de imprensa, o delegado André Luiz informou que a investigação aponta que os atritos entre a corretora e o síndico tenham sido a motivação do crime, sobretudo a administração de seis apartamentos no prédio onde a corretora desapareceu.
“O síndico administrava [os apartamentos] e eles [família da vítima, passou [a administração] para Daiane. Desde então, houve uma série de atritos. Ele foi denunciado por perseguição”, contou o delegado.
Cleber Rosa de Oliveira foi preso após confessar ter matado a corretora Daiane Alves de Souza, em Caldas Novas
Reprodução/ TV Anhanguera
Histórico de denúncias
Existem 12 processos na Justiça relacionados a Cléber e Daiane, desde o início dos conflitos, em fevereiro de 2025. Segundo o Ministério Público, o síndico monitorava toda a movimentação de Daiane e de hóspedes pelas câmeras e enviava imagens à própria irmã.
Segundo dados do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), os processos judiciais envolvendo Daiane e Cléber são por calúnia, difamação e lesão corporal contra Daiane. A corretora também foi denunciada por violação de domicílio, segundo dados do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO).
No dia 19 de janeiro, 39 dias após o desaparecimento da corretora, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) denunciou Cleber pelo crime de perseguição (stalking).
Segundo o delegado, Cléber não deu detalhes sobre como matou a vítima, mas em depoimento, o síndico disse ter tido um atrito com Daiane no subsolo do prédio após ela sair do elevador filmando alguns padrões de energia.
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Corpo abandonado em mata
Daiane desapareceu no dia 17 de dezembro de 2025, em Caldas Novas, na região sul de Goiás. Segundo a TV Anhanguera, o corpo dela foi abandonado pelo síndico a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, às margens da GO-213, que liga Caldas Novas a Ipameri e Pires do Rio.
Ele disse à polícia que agiu sozinho e que cometeu o crime após ter tido uma discussão acalorada com ela, no dia 17 de dezembro, quando ela desapareceu.
Segundo depoimento à polícia, Cleber saiu sozinho do condomínio dirigindo uma picape após colocar o corpo de Daiane na carroceria. No primeiro depoimento, o síndico afirmou que não saiu do local naquela noite. Mas a polícia tem as imagens de seguranças que mostram ele saindo do prédio por volta das 20h do dia do desaparecimento.
Corpo de corretora foi encontrado a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, em Goiás
Arte/g1
Companheira e amiga
Daiane foi descrita por amigos como uma pessoa muito companheira e amiga de todas as horas. Ela morava em Caldas Novas há dois anos para administrar os apartamentos da família. Daiane era solteira e deixa uma filha de 17 anos.
Ao g1, Georgiana dos Passos, amiga de Daiane há 6 anos, disse que a amiga era uma pessoa alegre e determinada. “Nos momentos mais difíceis, era ela que segurava a minha mão”, contou emocionada.
Georgiana contou tinha um xodó pela filha, mas também tinha o sonho de ser mãe novamente e desta vez de um menino que se chamaria Isaque. Ao g1, a mãe de Daiane, Nilse Alves Pontes, contou que a filha sempre deu muito apoio aos amigos.
“Independentemente de qualquer situação, qualquer lugar, qualquer tempo, isso é uma coisa que ela sempre buscou: estar junto com os amigos dela”, disse.
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