Padrasto inocentado após três anos preso por suspeita de matar bebê perdeu a dignidade e a convivência com a família, diz defesa
01/05/2026
(Foto: Reprodução) Padrasto de bebê que morreu após ser agredida vai a júri popular
O padrasto inocentado após ser acusado de matar a enteada de 1 ano em Santa Rita do Araguaia, região sudoeste de Goiás, perdeu a dignidade e a convivência com a família, segundo o advogado Django Luz. Gabriel Álvaro Felizardo Silva ficou preso por cerca de três anos pelo homicídio de Emanuelly Garcia Rodrigues, antes de conseguir o direito de responder em liberdade.
O crime aconteceu em 2019, quando Gabriel chegou a assumir a culpa da morte da criança, mas mudou a versão e disse que mentiu para proteger a companheira. A mãe da bebê, Jaqueline Vieira, confessou ter agredido a filha, relatando que bateu a cabeça da menina na parede em mais de uma ocasião, provocando traumatismo craniano.
✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp
A decisão que absolveu Gabriel foi publicada na quarta-feira (29), quando o Tribunal do Júri julgou improcedente a denúncia contra ele. A defesa considera pedir indenização ao Estado pelos anos que o rapaz passou na cadeia.
“Ele não perdeu só a liberdade. Perdeu a dignidade, a convivência com a família, a faculdade que tinha iniciado. Até hoje sofre prejuízos porque as pessoas lembram da acusação e não do desfecho”, afirmou Django Luz.
Gabriel Felizardo e a bebê Emanuelly, de 1 ano, que morreu após agressões em Santa Rita do Araguaia, em 2019
Reprodução/TV Anhanguera
LEIA TAMBÉM:
ABSOLVIÇÃO: Padrasto é inocentado por morte de bebê Emanuelly em Santa Rita do Araguaia
CONFISSÃO DA MÃE: Mãe confessa agressões que mataram bebê Emanuelly em Santa Rita do Araguaia, diz delegado
CONFISSÃO DO PADRASTO: Jovem é preso e confessa ter espancado e matado enteada de 1 ano porque ela não queria dormir
‘Punitivismo’
De acordo com o advogado, a defesa sempre teve convicção de que Gabriel era inocente e de que tanto a prisão quanto a denúncia eram uma injustiça. Ainda de acordo com Django o delegado que concluiu o inquérito sobre o caso sequer indiciou Gabriel pelo homicídio.
Apesar disso, o Ministério Público ofertou denúncia contra ele, sustentando omissão diante do crime. “Foi uma linha bem punitivista. Resolveram colocar o Gabriel como participante sem prova nenhuma”, declarou.
A decisão dos jurados foi unânime e mesmo o Ministério Público, durante o julgamento, passou a defender a absolvição do padrasto. Agora, Gabriel tenta reconstruir a vida após a absolvição, que aconteceu sete anos após o crime.
“Quando você coloca um inocente atrás das grades, você está cometendo uma injustiça muito grave. Fazer justiça não é prender qualquer pessoa, é responsabilizar quem realmente cometeu o crime”, afirmou.
Morte da bebê Emanuelly
Jovem é preso e confessa ter matado enteada de 1 ano porque ela não queria dormir
Em abril de 2019, a pequena Emanuelly morreu após ser agredida. Na ocasião, o casal alegou que ela havia caído da cama, porém os médicos que a atenderam em um hospital em Rondonópolis (MT) desconfiaram da versão e chamaram a polícia.
Em depoimento, Gabriel foi preso após confessar que “bateu com a mão fechada” na enteada porque ela estava chorando e não conseguia dormir (veja o vídeo acima). Dias depois, a mãe da bebê, Jaqueline Vieira, confessou o crime após novo depoimento.
“Mesmo com a confissão do Gabriel no dia em que foi preso, nós não nos contentamos muito com esta história e continuamos investigando, ouvindo diversas outras testemunhas, juntando o laudo pericial cadavérico, o laudo pericial do local do crime e aí sempre ficou aquela suspeita no entorno de talvez ter a participação da mãe”, afirmou o delegado Marcos Guerini.
Jaqueline Garcia Vieira, mãe da bebê Emanuelly, confessou as agressões que levaram à morte da criança
Reprodução/TV Anhanguera
Na época, a defesa relatou que Gabriel “tinha inicialmente assumido o crime porque achou que Jaqueline esperava um filho dele e, no primeiro instante, não sabia da gravidade e achou que ia ficar tudo bem”.
Jaqueline foi presa e, segundo o advogado, ela apresentava transtornos mentais e teve laudos que apontavam esquizofrenia e semi-imputabilidade. A Justiça negou um pedido para que fosse transferida para uma unidade de tratamento adequada e ela morreu na prisão em 2021. A causa foi registrada como Covid-19.
📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.
VÍDEOS: últimas notícias de Goiás