Mais de 10 pacientes procuraram a polícia para denunciar dentista suspeita de deformar pacientes em Goiânia, diz delegado
01/06/2026
(Foto: Reprodução) Dentista é suspeita de deformar pacientes em GO; veja procedimentos
Mais de 10 pacientes procuraram a polícia para denunciar a dentista Valéria Ribeiro, suspeita de deformar pacientes após procedimentos estéticos em Goiânia. O inquérito inicial contava com sete pessoas que contrataram os serviços da investigada e, após a divulgação do caso, outras seis pessoas denunciaram, totalizando 13 pessoas.
Em nota, a advogada Caroline Bittar, que representava a dentista até esta quinta-feira (28), mas deixou a defesa, informou que, até o presente momento, não tinha acesso “à integralidade dos documentos que embasaram a operação”, e, por isso, não poderia dar uma resposta técnica completa (veja a nota completa no final da reportagem). O g1 não localizou a nova defesa da dentista.
O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) informou que a profissional possui registro ativo e que o conselho acompanha com atenção os desdobramentos do caso. Acrescentou que os procedimentos estéticos e cirúrgicos no rosto, como lipoaspiração de papada, rinoplastia, otoplastia e blefaroplastia, só podem ser realizados pelo cirurgião-dentista que for comprovadamente especialista na área (veja a nota completa no final).
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Valéria Ribeiro foi presa na última quinta-feira (28) na Operação Protocolo de Risco, que investiga a prática de cirurgias invasivas dentro da clínica de estética da dentista, no Setor Bueno. Segundo a polícia, ela não tinha autorização para realizar os procedimentos, que incluíam: rinoplastia, lipoaspiração de papada e bichectomia.
Segundo o delegado Wladimir Freire, a coletiva de imprensa realizada no dia da prisão da dentista teve como um dos objetivos alcançar possíveis novas vítimas. Na entrevista, ele informou que o inquérito principal continua com sete vítimas e novas investigações serão abertas para as novas denúncias. O inquérito deve ser concluído até a próxima semana.
Dentista Valéria Ribeiro foi presa suspeita de deformar sete pacientes, em Goiânia
Reprodução / TV Anhanguera e Instagram Valéria Ribeiro
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Deformidades e cicatrizes
Uma das pacientes de Valéria Ribeiro, que não quis ser identificada, conversou com o g1 e contou como seu caso aconteceu. Segundo ela, pagou cerca de R$ 16,5 mil para uma cirurgia de rejuvenescimento do pescoço em 2024.
A cliente não gostou do resultado, então procurou a dentista, que disse que poderia fazer um retoque no mês seguinte.
“Eu tive que esperar até junho para fazer o retoque, que ela disse que seria de 30 minutos, e ela simplesmente fez um lifting facial sem a minha autorização”, conta.
Foto do do pescoço da paciente após o primeiro procedimento (à esquerda); pescoço após o retoque (à direita)
Arquivo pessoal
Segundo ela, o procedimento durou cerca de 18 horas e demorou 3 dias para ser finalizado. Conta ainda que só descobriu que a dentista tinha realizado o lifting quando voltou para casa, em outro estado, pois a área onde o procedimento foi realizado ficava enfaixada.
Além das cicatrizes, a paciente diz que ficou um ano sem conseguir mexer o pescoço e a boca e só recuperou a mobilidade após tratamento e fisioterapia. “Estão sendo dois anos de luta. As cicatrizes ficaram horríveis, apesar de tudo que eu fiz de tratamento. Foi bem sofrido”, disse.
Lesões graves
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O delegado Wladimir Freire afirma que a clínica não tinha nenhuma estrutura para realizar esses tipos de cirurgias e que a dentista tem formação em odontologia, mas não é cirurgiã-dentista.
A investigação que resultou na prisão preventiva de Valéria começou em 2024, mas segundo a polícia há relatos de vítimas desde 2023. Segundo a apuração, as vítimas passavam por procedimentos com duração prolongada, superior a 12 horas.
Segundo a polícia, as vítimas apresentaram:
Infecções;
Deformidades;
Fibroses;
Necroses;
Cicatrizes permanentes;
Outras sequelas graves.
Ainda segundo a polícia, Valéria enviou um vídeo por mensagem pedindo ajuda durante a realização de um procedimento. Conforme apurado pela TV Anhanguera, a dentista enviou o vídeo enquanto uma paciente estava com a pele cortada e exposta.
Além da prisão de Valéria, a polícia também prendeu uma funcionária dela, que teria tentado esconder provas e produtos durante uma inspeção da Vigilância Sanitária. O nome da funcionária não foi divulgado, portanto, o g1 não conseguiu localizar a defesa. A polícia também determinou o bloqueio de R$ 600 mil da dentista.
Nota da defesa
"A defesa da cirurgiã-dentista Valéria Ribeiro, representada pela advogada Caroline Bittar, vem a público esclarecer que, até o presente momento, não teve acesso à integralidade dos documentos que embasaram a operação policial deflagrada nesta quinta-feira (28) pela Polícia Civil de Goiás.
A ausência de acesso integral aos autos impossibilita, por ora, uma resposta técnica e jurídica completa aos fatos noticiados.
Tão logo tenha acesso irrestrito à documentação, a defesa se manifestará de forma detalhada e fundamentada".
Nota do CRO-GO
"O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) informa que tomou conhecimento, por meio de notícias veiculadas pela imprensa, da operação deflagrada pela Polícia Civil de Goiás, nesta quinta-feira (28/05). A profissional em questão possui registro ativo no CROGO.
O CROGO acompanha com atenção os desdobramentos do caso e ressalta que eventuais infrações éticas estão sendo devidamente apuradas no âmbito administrativo, respeitando-se o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, conforme estabelece a legislação vigente. As apurações neste Conselho correm sob sigilo.
O CROGO esclarece que, em regra, os procedimentos estéticos minimamente invasivos de Harmonização Orofacial, como aplicação de botox e preenchimento com ácido hialurônico, podem ser realizados por profissionais da Odontologia, nos termos da Resolução CFO 198/2019.
Por outro lado, os procedimentos estéticos e cirúrgicos na face (ex.: lipoaspiração de papada, rinoplastia, otoplastia, blefaroplastia etc) só podem ser realizados pelo cirurgião-dentista que for comprovadamente especialista em Cirurgia Estética Orofacial (CEOF), conforme exige a Resolução CFO 286/2026, sob pena de responsabilização.
O CROGO reforça seu compromisso com a fiscalização do exercício ético e legal da Odontologia, com a segurança da população e com a valorização dos profissionais que atuam dentro dos limites técnicos e científicos estabelecidos pelas normas da profissão.
Conselho Regional de Odontologia de Goiás – CROGO".
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