Jovem que ficou tetraplégica cinco vezes relembra processo: 'Ou estava doente ou estava correndo atrás do meu futuro'

  • 06/03/2026
(Foto: Reprodução)
Jovem com doença rara fica tetraplégica cinco vezes Roberta Rodrigues, de 33 anos, que já ficou tetraplégica cinco vezes ao longo da vida por causa de uma doença neurológica rara, contou ao g1 que sempre correu contra o tempo para conseguir concluir seus planos antes de ter uma próxima crise. Ela precisou interromper estudos, carreira e planos diversas vezes por causa da doença crónica e autoimune. A primeira crise aconteceu em 2008, após ela tomar a vacina contra febre amarela. Poucas horas depois, começou a perder os movimentos das pernas. Em janeiro de 2025, após contrair Covid-19, teve uma nova crise grave. Formada em fisioterapia formada pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), ela explicou que precisou recomeçar os planos diversas vezes, mas sempre persistiu. "Na faculdade, eu perdi dois anos. Na residência eu perdi dois anos. Então são anos que não voltam, que eu perco em cima de uma cama. E a sensação é que a minha vida inteira foi assim: ou eu estava doente ou estava correndo atrás do meu futuro de forma acelerada", afirmou Roberta. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Ela destacou que a dedicação sempre mostrou resultados e citou o exemplo de ter sido aprovada em três concursos em primeiro lugar, incluindo um federal, por estudar com muito foco entre as crises. Além da condição, Roberta também destacou que é de família humilde e natural de Santa Fé de Goiás, uma pequena cidade com cerca de 5 mil habitantes, e que também precisou superar as limitações que vão além da doença. "Além de vir de escola do interior, de ter estudado a vida inteira em escola pública e ter vindo de família pobre, ainda teve a questão da doença. Então sempre tive que correr muito mais do que as outras pessoas", declarou. Diagnóstico e progressão da doença Jovem durante primeira crise Arquivo pessoal/ Roberta Rodrigues Segundo Roberta, após a primeira crise que sofreu aos 15 anos de idade, ela recebeu o diagnóstico de Síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune que faz os músculos deixarem de responder. Inclusive o diafragma, responsável pela respiração. Com isso, ela precisou ser internada em Goiânia. “Eu fui paralisando tudo até que tive minha primeira parada respiratória e fui para a UTI. Fiquei entubada”, conta. LEIA TAMBÉM: ENTENDA: Conheça a história da jovem goiana que ficou tetraplégica cinco vezes por causa de doença rara MELHORA: Jovem goiana que ficou tetraplégica cinco vezes por doença rara celebra avanços: ‘Já estou bem melhor do que antes’ OUTRO CASO: Goiana que ficou tetraplégica depois de cirurgia faz sucesso na web ao mostrar superação; vídeo Roberta apresentou insuficiência respiratória e precisou passar por sessões de plasmaférese, tratamento que filtra o sangue para conter o avanço da doença. O quadro foi considerado grave. Com o passar dos anos, porém, as crises voltaram. Diferentemente do que costuma acontecer nos casos clássicos de Guillain-Barré, em que há recuperação após a fase aguda, Roberta teve novas recaídas e passou a apresentar fraqueza persistente. Os laudos mais recentes apontam que o diagnóstico evoluiu para Polineuropatia Inflamatória Desmielinizante Crônica (CIDP), uma forma crônica da doença que faz o sistema imunológico atacar as próprias células nervosas, provocando perda de força muscular. “A perda da bainha de mielina faz com que os impulsos nervosos fiquem lentos ou sejam interrompidos, o que causa fraqueza muscular, dificuldade de locomoção e até problemas no controle da bexiga”, explicou a fisioterapeuta Júlia Chaves, especialista em traumato-ortopedia e desporto, a CIDP é um distúrbio neurológico autoimune, à repórter Mariana Guimarães. Atualmente, ela convive com fraqueza nos quatro membros, faz tratamento contínuo com medicações específicas e precisa de reabilitação intensiva. Condicionamento físico e tratamento Jovem com doença rara fica tetraplégico, em Goiás Arquivo pessoal/ Roberta Rodrigues Antes dos 15 anos, Roberta explicou que já praticava capoeira e manteve rotina intensa de treinos entre uma crise e outra, principalmente a corrida. Segundo ela, todas as crises tiveram recuperação total dos movimentos, algo que atribui à preparação física e ao conhecimento técnico como fisioterapeuta. “Eu sempre treinei muito para quando viesse a crise eu ter o que gastar", pontuou. Atualmente, Roberta faz uso de um medicamento que atua no sistema imunológico para reduzir os ataques contra o próprio organismo. O remédio passou a ser utilizado de forma preventiva, com aplicação a cada seis meses. “Os médicos acreditam que agora, tomando de forma preventiva, eu não vou ter mais crises”, disse. Desde a última crise, em janeiro de 2025, Roberta segue em processo intenso de reabilitação. Mesmo diante das limitações, ela mantém a rotina de estudos, produção de conteúdo nas redes sociais e projetos voltados ao cuidado e à saúde da mulher. Jovem trabalha para voltar a andar novamente Arquivo pessoal/ Roberta Rodrigues 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

FONTE: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2026/03/06/jovem-que-ficou-tetraplegica-cinco-vezes-relembra-processo-ou-estava-doente-ou-estava-correndo-atras-do-meu-futuro.ghtml


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