Fraudes em cartões de alimentação: operação prende suspeitos de causar prejuízo a prefeituras de 9 estados
23/09/2026
(Foto: Reprodução) Polícia faz operação contra fraude em cartões de alimentação
A Polícia Civil de Goiás prendeu, nesta quarta-feira (23), suspeitos de integrar um grupo investigado por fraude com cartões de vale-alimentação. As prisões fazem parte da Operação Fake Card, que apura a apropriação de valores repassados por prefeituras para o pagamento de comerciantes.
Segundo a investigação, a empresa tinha contratos com mais de 220 municípios de nove estados, sendo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. Os pagamentos aos comerciantes começaram a atrasar em 2025 e foram interrompidos completamente em setembro daquele ano.
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Até o momento a polícia prendeu, duas pessoas suspeitas de participar do esquema. Estão sendo cumpridos também, seis mandados de busca e apreensão e o sequestro e bloqueio de bens e valores no valor de R$ 1 milhão de reais. As ordens são cumpridas nas cidades de Barueri, Limeira e São Paulo, no estado de São Paulo, com apoio da Polícia Civil de São Paulo e do CiberLab do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A investigação começou na Delegacia de Polícia de Barro Alto, em Goiás, e depois passou a ser feita pelo Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes (GREF), da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC).
Segundo a Polícia Civil, a empresa investigada foi contratada pela Prefeitura de Barro Alto para administrar os cartões de vale-alimentação e vale-refeição dos servidores municipais. O município repassava mensalmente os valores integrais à empresa, que tinha a obrigação de pagar os estabelecimentos onde os servidores faziam compras.
Ainda de acordo com a investigação somente em Barro Alto, o prejuízo causado aos comerciantes é de mais de R$ 800 mil. Um único comércio da cidade relatou uma perda superior a R$ 200 mil.
Operação prende grupo suspeito de frauder licitações em cartões de alimentação
Reprodução/ TV Anhanguera
Como funcionava o esquema
De acordo com a Polícia Civil, a investigação apontou que não se tratava apenas de um problema contratual. A suspeita é de que havia uma fraude planejada, com funcionamento semelhante ao de uma pirâmide financeira.
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A empresa teria vencido licitações em mais de 220 municípios oferecendo descontos que, segundo a investigação, eram muito baixos. Os descontos tinham média de 17% e chegavam a 30,5%.
Ainda segundo a polícia, os valores recebidos em novos contratos eram usados para cobrir pagamentos atrasados de contratos anteriores. Com isso, a empresa mantinha a aparência de regularidade. Quando a entrada de novos municípios diminuiu, o esquema teria entrado em colapso.
Ao serem cobrados pelos comerciantes, os responsáveis teriam alegado que a empresa havia sido vítima de um ataque de hackers. Eles também citaram um processo criminal que, segundo a investigação, não existia na Justiça de São Paulo. Depois disso, os responsáveis deixaram de prestar informações.
Segundo a Polícia Civil, a empresa responde a centenas de processos judiciais em diferentes estados.
A investigação apontou ainda que o grupo teria usado outras empresas ligadas aos investigados e contas pessoais para lavar o dinheiro que era recebido e impedir o rastreamento.
Carro e moto apreendidos em operação contra fraude em cartões de alimentação
Divulgação/ PC
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