(Foto: Reprodução) Como estão os locais atingidos pelo Césio-137?
Quase 40 anos após o acidente com o césio-137, em Goiânia, os locais que foram atingidos pela contaminação passaram por transformações ao longo dos anos, mas ainda preservam vestígios físicos e simbólicos da tragédia que marcou a história do país.
O tema voltou a ganhar repercussão após o lançamento de uma série sobre o caso e também com conteúdos publicados nas redes sociais, como o da comunicadora Isa Bosco, que percorreu pontos importantes do acidente e mostrou como esses espaços estão atualmente.
Área onde funcionava o ferro-velho no Setor Aeroporto, onde a cápsula com césio-137 foi aberta e a contaminação se espalhou.
Vinicius Moraes/g1 Goiás
Residência onde o equipamento com Césio-137 foi aberto
Divulgação/Cnen
Do hospital abandonado ao Centro de Convenções
O acidente teve início em 13 de setembro de 1987, quando dois catadores retiraram um aparelho de radioterapia de uma clínica abandonada, o antigo Instituto Goiano de Radioterapia (IGR).
Hoje, o local abriga o Centro de Convenções de Goiânia. Apesar da mudança na estrutura, o espaço é reconhecido como o ponto inicial da tragédia. Após a retirada do equipamento, o material foi levado a um ferro-velho no Setor Aeroporto, onde a cápsula foi aberta e o conteúdo radioativo começou a se espalhar.
A área passou por intervenções para conter a radiação, com uso de concreto e isolamento do solo. Mesmo com as mudanças, o local ainda é lembrado como o ponto central da contaminação.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Isa Bosco descreve o impacto de revisitar o espaço.
“A história não se apaga. Aqui teve famílias, teve pessoas”, disse.
Local onde funcionava o antigo Instituto Goiano de Radioterapia, ponto inicial do acidente com o césio-137, hoje abriga o Centro de Convenções de Goiânia
Divulgação/Centro de Convenções de Goiânia
Césio 137
Reprodução/TV Globo
LEIA TAMBÉM:
Césio-137: maior acidente radiológico da história deixou 4 mortos, 6 mil toneladas de lixo e ainda terá impacto por mais 200 anos
Césio-137: Conheça história da mulher que evitou que tragédia radioativa em Goiás fosse ainda maior
O que aconteceu com as vítimas do Césio-137?
Locais de triagem e tratamento
Durante o acidente, o Estádio Olímpico — hoje Centro de Excelência do Esporte — foi utilizado como base de triagem. Mais de 100 mil pessoas passaram pelo local para exames e monitoramento.
O Hospital Geral de Goiânia (HGG) também teve papel importante no atendimento às vítimas, com a criação de uma ala específica para radioacidentados. Atualmente, a unidade segue em funcionamento pelo SUS.
Local que serviu como base de triagem durante o acidente com o césio-137, o antigo Estádio Olímpico hoje funciona como Centro de Excelência do Esporte, em Goiânia
Reprodução/Goinfra
Milhares de pessoas foram avaliadas na época do acidente com césio-137 e 129 apresentaram radiação no corpo Goiânia Goiás
Reprodução/Cara
Onde está o material contaminado
Todo o material recolhido durante a descontaminação, como objetos pessoais, veículos e estruturas inteiras, foi levado para Abadia de Goiás, onde fica o depósito da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). O local abriga os rejeitos radioativos em estruturas seguras, cobertas por camadas de concreto, brita e solo, e segue sob monitoramento constante.
Segundo pesquisadores, mesmo com a redução da radiação ao longo dos anos, os riscos associados aos resíduos só devem desaparecer completamente após cerca de 200 anos. Atualmente, o Centro de Assistência aos Radioacidentados (Cara), ligado à Secretaria Estadual de Saúde, continua prestando atendimento a vítimas diretas e indiretas do acidente.
Entrada do depósito onde estão armazenadas as 40 mil toneladas de rejeitos do acidente com césio-1367, em Goiânia, Goiás
Adriano Zago/G1
Relembre o caso
O acidente começou quando o equipamento foi desmontado e partes do material radioativo foram distribuídas entre pessoas que não sabiam do risco. Encantadas com o brilho azul do pó, algumas vítimas levaram fragmentos para casa, o que ampliou a contaminação. Ao todo, quatro pessoas morreram em decorrência da exposição.
A identificação do risco só ocorreu após Maria Gabriela Ferreira suspeitar da relação entre o objeto e os sintomas apresentados por familiares e vizinhos. Ela morreu semanas depois, assim como a menina Leide das Neves, de 6 anos, uma das vítimas mais conhecidas do caso.
Pontos contaminados pelo Césio-137 que seguem monitorados em Goiânia
Thiago Oliveira/Arte TV Anhanguera
📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.
VÍDEOS: últimas notícias de Goiás
Como estão os locais atingidos pelo Césio-137?