Advogado com nanismo reprovado novamente em concurso para delegado avalia que adaptação não foi satisfatória, diz defesa

  • 26/05/2026
(Foto: Reprodução)
Advogado com nanismo diz que foi discriminado em teste de aptidão física O advogado com nanismo, Matheus Menezes, de 25 anos, que foi reprovado novamente nos exames biofísicos do concurso público para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), avaliou que a adaptação feita não foi satisfatória, por isso, entrou com um pedido de recurso administrativo. Agora, a defesa aguarda o resultado para poder tomar outras providências, caso seja necessário. “Conseguimos a decisão no Supremo para a adaptação, houve a adaptação e, mesmo assim, ele não conseguiu atingir o índice. Nós apresentamos um recurso porque entendemos que a adaptação não foi feita de forma satisfatória”, relatou o advogado Flávio Britto, especialista em concursos públicos, em entrevista ao g1. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp O advogado também explicou o que levou à reprovação de Matheus. “Os exames biofísicos são os Testes de Aptidão Física (TAF). Eles incluem provas como salto horizontal, corrida e flexão. O teste em questão, que motivou a eliminação, foi justamente o salto horizontal”, destacou. O resultado preliminar, que considerou Matheus "inapto", foi divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), banca organizadora do concurso, no dia 15 de maio. O g1 entrou em contato com a FGV para saber mais detalhes sobre o caso, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Atualmente, a participação do candidato está sub judice, quando a permanência no concurso público está pendente de uma decisão definitiva da Justiça. Matheus Menezes Matos Reprodução/Instagram de Matheus Menezes Matos Entenda o caso O caso ganhou ampla repercussão após o candidato denunciar ter sido vítima de discriminação nas redes sociais. Antes da prova, Matheus havia pedido adaptação no TAF e apresentou laudos médicos à FGV, que organizou o concurso, mas não foi atendido. LEIA TAMBÉM: DECISÃO: Advogado com nanismo desclassificado em concurso comemora anulação de teste físico: 'Luta não foi em vão' NOVA REPROVAÇÃO: Advogado com nanismo é reprovado novamente em concurso para delegado PROCESSO: Advogado com nanismo reprovado em concurso para delegado precisou brigar na Justiça por TAF adaptado para pessoa com deficiência Após ter sido reprovado inicialmente, Matheus entrou com uma ação judicial, o que fez com que a reprovação fosse anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e garantiu a ele o direito de refazer o teste, no mesmo processo seletivo. De acordo com o ministro Alexandre de Moraes, a banca descumpriu o entendimento firmado pelo STF na ADI 6.476, que estabeleceu a obrigatoriedade de adaptações razoáveis em provas físicas de concursos para candidatos com deficiência. Denúncia Na época, Matheus contou que já havia passado pelas provas objetiva, discursiva e oral, além dos exames biomédicos. O problema ocorreu na fase de exames biofísicos, que avaliam a aptidão física dos candidatos. “Eu decidi fazer essa denúncia para dar voz aos nossos direitos, que foram desrespeitados. Não foi só comigo, foram vários candidatos PCD. Nós solicitamos adaptação do teste físico à banca, apresentamos laudo médico, mas a banca simplesmente ignorou”, afirmou em entrevista ao g1. Matheus contou que foi desclassificado em uma prova que exigia um salto de 1,65 m. Antes disso, ele já havia sido aprovado nas etapas de flexões e corrida. "A Constituição e a lei garantem adaptação para pessoas com deficiência. Mesmo assim, fomos submetidos ao mesmo teste físico, o que levou à nossa eliminação de forma injusta”, disse. "Ser delegado é o maior sonho da minha vida. Não vai ser o meu tamanho que vai impedir isso. Quero essa carreira porque sempre tive vontade de trabalhar na área, investigando e combatendo o crime”, completou o candidato. Repercussão Na ocasião, a FGV pontuou que os exames biofísicos do concurso seguiram as regras previstas no edital e que não havia previsão de adaptação da etapa às condições individuais dos candidatos. Após a repercussão do caso, a PCMG informou na época que os testes físicos estão previstos no edital e têm o objetivo de verificar se o candidato possui condições físicas compatíveis com as atividades do cargo de delegado. A instituição também afirmou que o concurso segue as regras legais e que candidatos com deficiência podem participar do certame, desde que atendam aos critérios estabelecidos. O Instituto Nacional de Nanismo realizou uma manifestação pública criticando a eliminação do candidato. Para o instituto, a aplicação de critérios físicos sem avaliação individualizada pode configurar discriminação contra pessoas com deficiência. 📱 Veja outras notícias no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

FONTE: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2026/05/26/advogado-com-nanismo-reprovado-novamente-em-concurso-para-delegado-avalia-que-adaptacao-nao-foi-satisfatoria-diz-defesa.ghtml


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