Advogada acusada de matar ex-sogro e a mãe dele envenenados é condenada por perseguir ex-namorado
10/06/2026
(Foto: Reprodução) Mulher é presa suspeita de matar ex-sogro e a mãe dele envenenados, em Goiânia
A advogada Amanda Partata Mortoza, acusada de matar o sogro e a mãe dele envenenados, foi condenada a 6 anos e 2 meses de prisão pelos crimes de perseguição, extorsão e falsidade ideológica contra o ex-namorado. Atualmente, a advogada está presa, aguardando julgamento pelo duplo homicídio, que ocorreu em Goiânia.
O g1 entrou em contato com a defesa de Amanda, solicitando um posicionamento sobre o resultado, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Em fevereiro deste ano, durante audiência de instrução sobre os crimes cometidos contra o ex-namorado, o advogado Rodrigo Faucz alegou que Amanda sofre de problemas de saúde mental.
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Em sua decisão, o juiz Luciano Borges da Silva afirmou que, em relação ao crime de perseguição, houve o agravante de motivação torpe.
"Considerando que a perseguição foi motivada pelo término do relacionamento, não tendo a acusada aceitado o fim do namoro e sendo impelida pelos sentimentos de abandono, frustração, raiva e vingança", afirmou o magistrado.
Amanda Partata é acusada de matar ex-sogro e a mãe dele envenenados, em Goiás
Wesley Costa/O Popular
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As penas por cada um dos três crimes, estabelecidas pelo juiz, foram:
extorsão: 5 anos, 3 meses e 15 dias de reclusão, além de 61 dias-multa;
perseguição: 7 meses de reclusão e 11 dias-multa;
falsidade ideológica: 3 meses e 15 dias de detenção.
As penas de reclusão têm de ser cumpridas em regime fechado, semiaberto ou aberto. Já a de detenção pode ser cumprida no regime semiaberto ou aberto.
Cada um dos dias-multa corresponde a um décimo do salário-mínimo vigente à época dos fatos. Os crimes ocorreram em 2023, quando o mínimo nacional era de R$ 1.320. De acordo com o juiz, os valores da multa serão destinados para o Fundo Penitenciário Estadual.
Além das penas, o juiz condenou Amanda a pagar uma indenização de R$ 25 mil ao ex-namorado, por danos morais.
"Tendo em vista todo o transtorno e abalo emocional e psicológico imposto ao ofendido, perturbando-lhe, ainda, sua rotina, suas relações sociais e profissionais, e impingindo-lhe humilhações, temor e traumas", afirmou Luciano Borges da Silva.
Na sentença, há um extenso depoimento dado pelo ex-namorado à Justiça, mostrando as diversas situações de perseguição que ele sofreu, entre elas mensagens e ligações anônimas, com ameaças a ele, à sua família e à própria Amanda. As investigações concluíram, posteriormente, que todas eram feitas por Amanda.
Advogada Amanda Partata e as vítimas Leonardo Pereira Alves e Luzia Tereza Alves, em Goiânia, Goiás
Divulgação/Polícia Civil e Reprodução/Redes Sociais
Em relação ao crime de extorsão, o ex-namorado relatou as tentativas, sendo que a primeira delas foi de R$ 5 mil. Houve outra, mas ele não se lembrava do valor. Elas se referiam a um falso caso de assédio atribuído a ele. "Não paguei porque tenho certeza que não cometi o que estava sendo alegado", disse o ex.
Mesmo não tendo sido consumada a extorsão, o juiz explicou que a prática do crime ficou comprovada, uma vez que a Justiça entende que não é necessário ter sido obtida a vantagem financeira pela pessoa que exige o dinheiro.
"Ainda que a vítima não tenha efetuado o pagamento da quantia exigida, o crime de extorsão foi consumado no momento em que a acusada efetivou a grave ameaça – de realizar denúncia falsa, de exposição vexatória, de constrangimento público – com a finalidade de obter vantagem indevida", afirmou o magistrado.
Relembre o crime
Amanda foi presa no dia 20 de dezembro de 2023, suspeita de ter envenenado o ex-sogro Leonardo Pereira Alves, de 58 anos, e a mãe dele, Luzia Alves, de 86, envenenados. Os dois começaram a passar mal depois de comerem bolos de pote que a advogada havia levado para eles. A presença do veneno no alimento foi constatada por laudo pericial da Polícia Científica.
No dia do crime, Amanda tomou café com as vítimas. O momento foi registrado em uma foto, que mostra Amanda sorrindo ao lado da mesa com bolos de pote, sacolas e uma garrafa de suco.
A Polícia Científica disse ainda que dois potes estavam com a substância, que é considerada um veneno 'potente' e que foi usado em grande quantidade. Mesmo em pequenas doses, a substância é tóxica e letal, e não tem sabor nem odor, ou seja, não é possível ser percebida. O nome da substância não foi divulgado, na época.
Em janeiro de 2024, o Ministério Público de Goiás denunciou Amanda por duplo homicídio qualificado e dupla tentativa de homicídio qualificado, esse último relacionado a à oferta do bolo para outros dois familiares das vítimas, que se recusaram a comê-lo.
Na denúncia, o MPGO pediu condenação por homicídios triplamente qualificados por:
emprego de meio insidioso (com emprego de veneno);
motivo torpe (forma de vingança contra o ex-namorado);
cometimento mediante dissimulação.
As investigações da Polícia Civil sobre o caso concluíram que a motivação dos assassinatos foi um sentimento de rejeição dela com o fim do namoro de 1 mês e meio com o filho de Leonardo, e que a advogada desejava causar ao ex o maior sofrimento possível.
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